Hackathon: Maratona de Inovação e Criatividade
Um Hackathon é um evento que une a intensidade de uma maratona com o espírito criativo do “hacking” (no sentido de encontrar soluções inteligentes e não convencionais para problemas). Trata-se de uma competição, geralmente com duração de 24 a 48 horas ininterruptas, onde equipes multidisciplinares – compostas por desenvolvedores de software, designers de interface (UI), designers de experiência do usuário (UX), gerentes de produto e outros profissionais – se reúnem para desenvolver uma solução tecnológica para um desafio específico. O resultado final é, tipicamente, um protótipo funcional de um software, aplicativo ou hardware.
Embora o nome possa assustar, um hackathon não tem nada a ver com atividades ilegais de invasão de sistemas. Pelo contrário, eles são ambientes de extrema colaboração, aprendizado e inovação. Grandes empresas de tecnologia, como o Facebook e o Google, promovem hackathons internos regularmente como uma forma de estimular a criatividade de seus funcionários e gerar novas ideias de produtos. O botão “Curtir” do Facebook, por exemplo, nasceu em um hackathon interno.
Para as empresas que promovem hackathons externos, os benefícios são múltiplos. É uma excelente forma de se aproximar da comunidade de desenvolvedores, identificar e recrutar novos talentos, e até mesmo encontrar soluções inovadoras para seus próprios desafios de negócio (um processo conhecido como inovação aberta). Para os participantes, os hackathons são uma oportunidade única de fazer networking, aprender novas tecnologias na prática, testar suas habilidades sob pressão e, claro, competir por prêmios que podem incluir dinheiro, incubação da ideia ou vagas de emprego.
Exemplo na rotina do empreendedor:
Uma grande seguradora, a “SeguroTotal”, está enfrentando dificuldades para atrair um público mais jovem e digital. Seus processos são vistos como burocráticos e seus produtos, como antiquados. Em vez de apenas contratar uma consultoria, a diretoria de inovação decide promover um hackathon com o tema: “O Futuro do Seguro”.
Eles alugam um grande espaço, oferecem comida, bebida e uma internet de alta velocidade. O evento atrai mais de 200 participantes, entre estudantes universitários e jovens profissionais de tecnologia. No início do evento, a empresa apresenta o desafio: “Como podemos usar a tecnologia para criar produtos de seguro mais simples, transparentes e engajadores para a geração Millennial?”.
Durante as 48 horas seguintes, o ambiente é de pura energia. As equipes se formam, debatem ideias, desenham interfaces e programam sem parar. Uma das equipes, formada por dois programadores, uma designer e um estudante de administração, tem uma ideia: um micro-seguro para objetos. A ideia é simples: através de um aplicativo, o usuário poderia fazer um seguro para seu smartphone ou notebook por um único dia ou fim de semana, pagando um valor pequeno (ex: R$ 5,00 para proteger o celular durante um festival de música). O processo de contratação levaria menos de um minuto, com o usuário tirando uma foto do objeto para comprovar seu estado.
Ao final do hackathon, as equipes apresentam seus protótipos para uma banca de jurados formada por executivos da SeguroTotal. A equipe do micro-seguro faz uma demonstração ao vivo do seu aplicativo funcional. Os jurados ficam impressionados com a simplicidade e o potencial de mercado da ideia. A equipe vence o hackathon, ganhando um prêmio de R$ 30.000.
Mas a história não termina aí. A diretoria da SeguroTotal vê tanto potencial na ideia que decide ir além. Eles oferecem aos membros da equipe a oportunidade de desenvolver o projeto dentro da empresa, em um programa de intraempreendedorismo, com todo o suporte financeiro e estrutural. O hackathon não apenas gerou uma ideia de produto inovadora que a empresa jamais teria pensado internamente, mas também trouxe para dentro de casa os talentos necessários para executá-la.